
HOJE SOU POLICIAL
Hoje eu sou policial. Ser policial exige paciência dentre outras inúmeras qualidades, é um trabalho extremamente cansativo, trabalho esse que não é reconhecido pelos demais fora dos quartéis e às vezes não é reconhecido nem dentro das nossas próprias unidades, o que é muito estressante e desestimulante, o policial também tem seus problemas pessoais, ele também tem fome e sono, mesmo que tenha a sua folga que não é muita, também comemora aniversario, festeja, dentre outras atividades normais, ou seja é um ser humano igual a qualquer outro, estou de serviço hoje e faltam 5 minutos pra que a outra equipe se apresente, mas alguém repassou que houve uma ocorrência, até pareceu coisa séria, mas pode ser trote, falaram em alguém ter invadido uma casa armado, sinceramente eu acho que é trote pois tinha uma criança na linha, passaram os 5 minutos a outra equipe assume e eu vou para minha merecida folga, afinal preciso descansar depois de 24 horas inteiras trabalhadas.
Hoje sou um cidadão normal e na minha folga aproveito para resolver assuntos pertinentes a escola dos meus filhos e outros problemas como as compras do supermercado e tenho ainda que marcar uma consulta de pré-natal para a minha esposa, estamos esperando mais uma vida, vou dormir e descansar, mas ao amanhecer escuto um barulho estrondoso próximo a minha porta dos fundos, e como o chefe da casa tenho a obrigação de verificar, quando chego próximo ao local do barulho já é muito tarde e observo rapidamente que entraram três talvez quatro homens armados na minha casa pelo telhado, como de relance consigo puxar as crianças que já estavam acordadas e leva-las para dentro do meu quarto onde se encontrava minha esposa muito nervosa, passo a chave no quarto mas sei que seria inútil caso aqueles homens quisessem realmente entrar aqui.
Então permaneço na porta como se quisesse segurá-la com os meus próprios braços caso resolvessem empurrar a porta, minha mulher faz o mesmo, apesar de eu tê-la mandado ficar com as crianças, meu filho mais velho teve a feliz idéia de pegar o celular da minha esposa e liga pro 190 na tentativa de chamar a policia, como um rapazinho maduro que é, ele explica a situação pausadamente e diz o endereço corretamente, então pensamos: nós agora estamos a salvo, pois são três minutos do quartel até a minha residência, a ajuda está próxima, porém já passaram cerca de uns 10 minutos e nada, começo a ouvir tiros do outro lado da porta, acho que nos acharam, o tiro atravessou a porta mas olhei pras crianças e eles estavam de pé, aflitos, mas de pé, sem nenhum arranhão.
Escuto como se eles tivessem zangados acho que perceberam que entraram na casa errada, não pareceriam simples assaltantes pareceu mais um acerto de contas com outra pessoa, afinal não tenho posses para serem invejadas e não tenho envolvimento com esse tipo de gente, é isso! Só pode ser isso, não escuto mais nada, tudo agora é silêncio, já se passaram 30 minutos desde que ligamos para o quartel e escutamos a sirene da viatura, acho que agora está tudo bem, eu abro a porta e vislumbro a pior visão da minha vida, minha mulher caída ao chão do meu lado, o tiro certeiro em sua barriga, nem ela e nem meu filho que ainda estava em seu ventre resistiram.
Se pelo menos a policia tivesse chegado antes... Meus próprios companheiros, aqueles que vejo, trabalho e confio todos os dias.
De repente desperto assustado estou num banco da viatura, acho que acabei cochilando, olho no relógio o graduado avisa que faltam 10 minutos para o termino do serviço, saio da viatura junto aos meus companheiros e espero a outra equipe, mas ainda assustado lembro cada detalhe daquele sonho terrível, faltando exatos 5 min para a passagem de serviço uma ligação é atendida pelo permanente, e minha mente é invadida por milhares de pensamentos, mas nada é tão forte quanto a idéia de uma segunda chance, será que Deus me deu uma segunda chance? Como uma terrível coincidência a previsão se realizara e o atendente repassou a informação que no meu intimo já sabia qual era, sem pensar duas vezes vestir meu colete, carreguei minha arma, e entrei na viatura, ou outros que já estavam apenas aguardando o fim do serviço, mesmo contrariados entraram na viatura e fomos atender a ocorrência e adivinhem caro leitor o que ocorreu? A diabólica cena não se repetiu, chegamos e a sirene assustou os bandidos antes que qualquer tiro tenha sido disparado... Salvamos duas vidas hoje, o serviço foi passado com duas horas de atraso, mas e daí? Salvamos duas vidas hoje, e não canso de me repetir salvamos duas vidas hoje, vidas essas que poderiam ser da minha família.
Nem todos têm uma segunda chance, a oportunidade perdida nunca volta.
Texto original;
Nathie Bathy
Hoje eu sou policial. Ser policial exige paciência dentre outras inúmeras qualidades, é um trabalho extremamente cansativo, trabalho esse que não é reconhecido pelos demais fora dos quartéis e às vezes não é reconhecido nem dentro das nossas próprias unidades, o que é muito estressante e desestimulante, o policial também tem seus problemas pessoais, ele também tem fome e sono, mesmo que tenha a sua folga que não é muita, também comemora aniversario, festeja, dentre outras atividades normais, ou seja é um ser humano igual a qualquer outro, estou de serviço hoje e faltam 5 minutos pra que a outra equipe se apresente, mas alguém repassou que houve uma ocorrência, até pareceu coisa séria, mas pode ser trote, falaram em alguém ter invadido uma casa armado, sinceramente eu acho que é trote pois tinha uma criança na linha, passaram os 5 minutos a outra equipe assume e eu vou para minha merecida folga, afinal preciso descansar depois de 24 horas inteiras trabalhadas.
Hoje sou um cidadão normal e na minha folga aproveito para resolver assuntos pertinentes a escola dos meus filhos e outros problemas como as compras do supermercado e tenho ainda que marcar uma consulta de pré-natal para a minha esposa, estamos esperando mais uma vida, vou dormir e descansar, mas ao amanhecer escuto um barulho estrondoso próximo a minha porta dos fundos, e como o chefe da casa tenho a obrigação de verificar, quando chego próximo ao local do barulho já é muito tarde e observo rapidamente que entraram três talvez quatro homens armados na minha casa pelo telhado, como de relance consigo puxar as crianças que já estavam acordadas e leva-las para dentro do meu quarto onde se encontrava minha esposa muito nervosa, passo a chave no quarto mas sei que seria inútil caso aqueles homens quisessem realmente entrar aqui.
Então permaneço na porta como se quisesse segurá-la com os meus próprios braços caso resolvessem empurrar a porta, minha mulher faz o mesmo, apesar de eu tê-la mandado ficar com as crianças, meu filho mais velho teve a feliz idéia de pegar o celular da minha esposa e liga pro 190 na tentativa de chamar a policia, como um rapazinho maduro que é, ele explica a situação pausadamente e diz o endereço corretamente, então pensamos: nós agora estamos a salvo, pois são três minutos do quartel até a minha residência, a ajuda está próxima, porém já passaram cerca de uns 10 minutos e nada, começo a ouvir tiros do outro lado da porta, acho que nos acharam, o tiro atravessou a porta mas olhei pras crianças e eles estavam de pé, aflitos, mas de pé, sem nenhum arranhão.
Escuto como se eles tivessem zangados acho que perceberam que entraram na casa errada, não pareceriam simples assaltantes pareceu mais um acerto de contas com outra pessoa, afinal não tenho posses para serem invejadas e não tenho envolvimento com esse tipo de gente, é isso! Só pode ser isso, não escuto mais nada, tudo agora é silêncio, já se passaram 30 minutos desde que ligamos para o quartel e escutamos a sirene da viatura, acho que agora está tudo bem, eu abro a porta e vislumbro a pior visão da minha vida, minha mulher caída ao chão do meu lado, o tiro certeiro em sua barriga, nem ela e nem meu filho que ainda estava em seu ventre resistiram.
Se pelo menos a policia tivesse chegado antes... Meus próprios companheiros, aqueles que vejo, trabalho e confio todos os dias.
De repente desperto assustado estou num banco da viatura, acho que acabei cochilando, olho no relógio o graduado avisa que faltam 10 minutos para o termino do serviço, saio da viatura junto aos meus companheiros e espero a outra equipe, mas ainda assustado lembro cada detalhe daquele sonho terrível, faltando exatos 5 min para a passagem de serviço uma ligação é atendida pelo permanente, e minha mente é invadida por milhares de pensamentos, mas nada é tão forte quanto a idéia de uma segunda chance, será que Deus me deu uma segunda chance? Como uma terrível coincidência a previsão se realizara e o atendente repassou a informação que no meu intimo já sabia qual era, sem pensar duas vezes vestir meu colete, carreguei minha arma, e entrei na viatura, ou outros que já estavam apenas aguardando o fim do serviço, mesmo contrariados entraram na viatura e fomos atender a ocorrência e adivinhem caro leitor o que ocorreu? A diabólica cena não se repetiu, chegamos e a sirene assustou os bandidos antes que qualquer tiro tenha sido disparado... Salvamos duas vidas hoje, o serviço foi passado com duas horas de atraso, mas e daí? Salvamos duas vidas hoje, e não canso de me repetir salvamos duas vidas hoje, vidas essas que poderiam ser da minha família.
Nem todos têm uma segunda chance, a oportunidade perdida nunca volta.
Texto original;
Nathie Bathy

No comments:
Post a Comment